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	<title>Cão Mania &#187; donos</title>
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	<description>O espaço do seu cão no quintal global</description>
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		<title>Se meu pet falasse &#8211; Veja SP 16/06</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 16:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Stancato</dc:creator>
				<category><![CDATA[matérias]]></category>
		<category><![CDATA[adoção]]></category>
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		<category><![CDATA[histórias]]></category>
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		<description><![CDATA[Entre os 2,5 milhões de cães e 600 000 gatos da cidade, não faltam histórias de amor que os donos adoram contar e repetir. A seguir, algumas delas, relatadas do ponto de vista dos animaizinhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os 2,5 milhões de cães e 600 000 gatos da cidade, não faltam histórias de amor que os donos adoram contar e repetir. A seguir, algumas delas, relatadas do ponto de vista dos animaizinhos</p>
<div id="attachment_187" class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img class="size-full wp-image-187" title="pet-1" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-1.jpg" alt="Carla Troianelli é dona de dez cachorros" width="420" height="280" /><p class="wp-caption-text">Carla Troianelli é dona de dez cachorros</p></div>
<p><span id="more-186"></span></p>
<p><strong>“A concorrência aqui é grande”</strong></p>
<p><strong>Napoleão</strong>, lhasa apso, 5 anos<br />
<strong>Dona:</strong> Carla Troianelli, designer de interiores e estudante de veterinária, 44 anos</p>
<p>Esse bonitão aí grudado na lente da câmera sou eu: Napoleão, o imperador. Tenho muitas vontades e não nego. A culpa é da Carla, minha dona. Carioca da gema, ela se mudou para São Paulo cinco anos atrás. Veio acompanhando o marido, Gabriel, advogado. Ela me contou que, antes de me conhecer, chorou um mês inteirinho, sem parar. Sentia-se sozinha, sem amigos e abandonada no apartamento onde morava, em Moema. Nem precisa dizer que apareci para mudar o curso da história, né? Era agosto quando ela me buscou em um canil lá em Guarulhos. Foi amor à primeira latida. Até o Gabriel, que não estava lá muito contente com a novidade, se apaixonou por mim. Fiquei bem bravo quando apareceram com uma lhasa branquinha e bem-educada, a Marie Louise, dizendo que ela moraria com a gente. Nove meses depois, quase fui destronado quando pintou o Theobaldo, com sua pelugem preta. Ele adentrou nosso lar, conquistou o coração da Malu e tiveram cinco filhotes. Encantada, Carla decidiu tornar-se criadora da raça lhasa apso. Nós nos mudamos para uma casa maior, adaptada às nossas necessidades. E ganhamos muitos novos companheiros — somos dez, atualmente. Todos com nomes de origem francesa: Clotilde, Dagoberto, Blanche, Radegunda, Matilde, Carlos Magno e Josephine. A concorrência aqui é grande, mas o rei da casa sou eu.”</p>
<p><strong>“Já fiquei trancada na máquina de lavar”</strong></p>
<p><strong>Flor</strong>, vira-lata, 1 ano e meio<br />
<strong>Donos:</strong> Lucas e Gabriel Martins Schiante, estudantes, 8 e 16 anos</p>
<div id="attachment_188" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-188" title="pet-2" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-2.jpg" alt="Lucas e Gabriel são os donos da Flor" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">Lucas e Gabriel são os donos da Flor</p></div>
<p>Uma gata vizinha bem folgada, a Kitty, adora pular o muro para me provocar. Corro atrás dela que nem louca para mostrar que este pedaço aqui é muito, mas muito meu, sabe como é? Eu sou a Flor, filha de siamês com vira-lata. Para fazer jus ao nome, tenho meus espinhos, que mostro apenas de vez em quando. Como nesta semana, quando apareceu um moço com uma caixa que chamavam de câmera fotográfica. Saíam umas luzes fortes daquilo que me tiraram do sério. O Lucas e o Gabriel, meus donos, disseram que eu estava parecendo uma oncinha. A última vez em que eu havia perdido as estribeiras desse jeito foi quando a Vilma, a mãe deles, nem viu que eu estava dentro da máquina de lavar e trancou a porta. É que eu gosto tanto, tanto, tanto dela que adoro segui-la por toda parte. Fiquei curiosa quando vi aquela portinha redonda aberta e me enfiei lá dentro. Berrei muito até me tirarem dali. Por pouco eu não — miau! — sabe como é?”</p>
<p><strong>“É difícil eu repetir roupas”</strong></p>
<p><strong>Jullie</strong>, maltesa, 1 ano<br />
<strong>Dona:</strong> Ada Borba, empresária, 48 anos</p>
<div id="attachment_189" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-189" title="pet-3" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-3.jpg" alt="Jullie tem mais de cinquenta opções no armário" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">Jullie tem mais de cinquenta opções no armário</p></div>
<p>Fazer poses como esta não é nada fácil. Para aprender a sentar, deitar e rolar ao comando de minha dona, foram várias aulas. Mas, mesmo antes dos truques, sempre tive comportamento exemplar. Afinal, quem consegue manter um visual caprichado como o meu pulando por aí feito cachorro louco? É impossível me encontrar na rua sem um vestido in-crí-vel e lacinhos no cabelo — combinando, é claro. Nos dias quentes, as roupinhas dão lugar a coleiras enfeitadas ou jardineiras. São mais de cinquenta opções no meu armário. É difícil eu repetir roupas. Agora, na Copa do Mundo, por exemplo, vou usar um casaco do Brasil com fitas verdes e amarelas, tá, meu bem? Faço um sucesso danado no local de trabalho da minha dona, por onde adoro desfilar. Passo a tarde toda lá, deitada quietinha em minha cama acolchoada. Quando voltamos para casa, como um pouco da minha ração com peito de peru e às vezes ganho um banho de banheira. Dá para imaginar que ir ao shopping é um dos meus programas preferidos. Apesar de gostar de passear, poupo minhas patinhas e vou dentro da bolsa da minha dona, confeccionada especialmente para mim. Assim, posso levar alguns itens indispensáveis, como lenços umedecidos, garrafa de água, petiscos e brinquedos para as horas vagas. Ai, que vida dura&#8230;”</p>
<p><strong>“Elas acabaram com a minha temporada na praça”</strong></p>
<p><strong>Neguinha</strong>, vira-lata, 10 meses<br />
<strong>Donas:</strong> Livia e Rachel de Almeida, estudantes, 8 e 5 anos</p>
<div id="attachment_190" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-190" title="pet-4" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-4.jpg" alt="Livia e Rachel de Almeida são as donas da vira-lata Neguinha" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">Livia e Rachel de Almeida são as donas da vira-lata Neguinha</p></div>
<p>Poucas vira-latas têm sorte como eu. Acredite se quiser, mas mesmo sem nenhum pedigree fui disputada por alguns humanos. Tudo começou quando eu estava vagando pelas ruas e resolvi seguir uma mulher em sua caminhada matinal. Ela percebeu minha presença na porta de sua casa, mas não me convidou para entrar. Fiquei esperando, sem sucesso. Em compensação, ganhei ração e comida. Como não sou boba, decidi ficar por lá. A praça do outro lado da rua virou meu lar. Instalaram uma casinha sob uma árvore, onde eu recebia os cuidados da Livia e da Rachel, que vinham brincar comigo várias vezes por dia. As coisas mudaram há cerca de duas semanas, quando fomos passear pelo bairro. Gostei tanto que quis repetir no dia seguinte, mas não tinha companhia. Aí, fui sozinha, pensando que saberia o caminho de volta. Gente! Eu rodava, rodava e não conseguia encontrar a praça. Fui resgatada por uma moça simpática, que me levou ao seu apartamento. Ela deixou avisos em pet shops contando que tinha encontrado uma cadela perdida e, que bom, a mãe daquelas garotinhas que adoro leu um deles. Assim nos reencontramos. De tão felizes em me rever, elas acabaram com a minha temporada na praça. Fui morar com a Livia e a Rachel e agora passo o dia no quintal, dormindo e tomando sol. Lar, doce lar.”</p>
<p><strong>“Vivia numa favela antes de ser adotado pela Tania”</strong></p>
<p><strong>Lee</strong>, pug, 8 anos<br />
<strong>Dona:</strong> Tania Tavares, diretora de marketing, 35 anos</p>
<div id="attachment_191" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-191" title="pet-5" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-5.jpg" alt="O pug Lee vivia na favela antes de ser adotado" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">O pug Lee vivia na favela antes de ser adotado</p></div>
<p>Quando alguém chega perto e passa a mão na minha cabeça, o mundo para. Encosto ali e fico só recebendo carinho. Deito no chão, faço amizade mesmo. Assim conquistei a Tania, que não me larga por nada neste mundo. ‘O Lee sofreu horrores’, ela costuma repetir. É verdade, cara! Hoje moro num apartamento bacana em Higienópolis, mas vivia em uma casa bem modesta numa favela carioca antes de ser adotado por ela. Estava com o pelo detonado, magrelo, com unhas bem compridas&#8230; Mal conseguia escutar, de tantos bichos que havia dentro da minha orelha. Fui entregue à Tania com uma corda de varal enrolada no pescoço, uma coleira improvisada. Eu a vi chorar algumas vezes. Ela dizia que era saudade da família e de São Paulo, mas que o fato de me ter ao lado a fazia aguentar a temporada no Rio de Janeiro, aonde tinha ido para estudar. E que me fazer melhorar — hoje estou fortão e esbanjo saúde — a havia ajudado a se curar de uma coisa chamada depressão. Não sei direito do que se trata, mas, por via das dúvidas, nunca saio de perto dela.”</p>
<p><strong>“Adoooooro dormir”</strong></p>
<p><strong>Soneca</strong>, vira-lata, 3 anos<br />
<strong>Dono:</strong> Cicero Cruz, analista de sistemas, 32 anos</p>
<div id="attachment_192" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-192" title="pet-6" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-6.jpg" alt="Cícero Cruz é o dono da vira-lata Soneca" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">Cícero Cruz é o dono da vira-lata Soneca</p></div>
<p>Hummm, que preguiça&#8230; Vou ser breve, porque quero cochilar mais um pouquinho. Meu nome é Soneca. Sim, eu adoooooro dormir. Há três anos, quando ainda era filhote, fui jogado em uma rua na Penha. Como os moleques da vizinhança não me davam sossego, procurei abrigo no quintal de uma casa. Logo que entrei vi o Cicero, com a perna enfaixada, sentado numa cadeira de rodas. Não sou fácil, mas simpatizei tanto com ele! Já o cara deu de ombros. Ele detestava gatos, acredita? Foi a Angela, a mulher dele, quem me acolheu. Lembro-me de ouvi-la falar: ‘É só uma noite, amanhã ligo para o Adote um Gatinho’. Ainda bem que o telefonema nunca chegou a ser feito. Conquistei meu dono aos poucos. Por causa de uma cirurgia na perna, ele ficou de molho por seis meses. Nesse tempo, não o abandonei um segundo sequer e nos tornamos grandes companheiros. Durante a tarde, faço minha sesta em cima da cama do casal! Ainda me estranho com aquela implicante da Nina, uma cachorra que já morava aqui antes de mim. Mas ela fica no quintal. Tenho certeza de que a convivência será melhor com o próximo novo membro da família: uma criança que o Cicero e a Angela vão adotar. Enquanto ainda tenho tempo, vou aproveitar o sofá só para mim! Falando nisso, bateu um cansaço&#8230; Boa noite.”</p>
<p><strong>“Ela pede a São Francisco que me proteja”</strong></p>
<p><strong>Fedido</strong>, vira-lata, 10 anos<br />
<strong>Dona: </strong>Fernanda Passos, veterinária, 32 anos</p>
<div id="attachment_193" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-193" title="pet-7" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-7.jpg" alt="O vira-lata Fedido vagava pelas ruas de Santana de Parnaíba" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">O vira-lata Fedido vagava pelas ruas de Santana de Parnaíba</p></div>
<p>Não sei se, por ter sofrido muito nesta vida, esqueci muitas coisas do meu passado. Lembro apenas que vagava sem rumo pelas ruas de Santana de Parnaíba. No início de 2009, parei na porta de um hotel para ver o movimento. Estava magro, sujo, com a pele inflamada, os pelos embolados e os olhos inchados. Tenho até vergonha de contar, mas, como não tomava banho fazia tempo, também cheirava mal. Nada disso fez com que a Fernanda, filha dos donos do hotel, me enxotasse de lá. Formada em veterinária, ela me alimentou e me encheu de carinho durante os quatro dias nos quais fiquei na calçada. Tudo a contragosto do pai, que preferia me ver longe. Depois de muita insistência dela, fui morar na chácara da família. Cheguei tímido e arredio, mas a Fernanda teve paciência. Tosou meus pelos, deu remédios e, bem-humorada, me batizou de Fedido. Continuo na minha e me dou bem com os outros sete cães e sete gatos da casa. Parece que conheço a Fernanda há tempos. Antes de dormir, ela beija meu focinho e pede a São Francisco que me proteja. Em outubro, ela vai se casar e mudar de endereço. Eu, claro, vou junto. Essa história eu jamais desejo esquecer.”</p>
<p><strong>“Tomei uns florais para aguentar as nove horas de voo”</strong></p>
<p><strong>Lucy</strong>, teckel, 6 anos<br />
<strong>Dona:</strong> Ana Cristina Ronconi, artista plástica, 47 anos</p>
<div id="attachment_194" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-194" title="pet-8" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-8.jpg" alt="A teckel Lucy morou no México" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">A teckel Lucy morou no México</p></div>
<p>Oi! Eu sou a Lucille Ball, mas pode me chamar de Lucy. Nasci no dia 6 de agosto de 2003 — exatos 92 anos depois da estrela do seriado ‘I Love Lucy’. A Ana, minha dona, é fã dela. Eu tinha 2 meses quando nos conhecemos, em uma loja de som para carros, no Itaim Bibi, onde eu estava à venda. Logo, eu, a Ana, o Giancarlo, marido dela, e o filho deles, Gianlucca, formamos uma família. Ia tudo bem quando, em 2005, o Giancarlo recebeu uma proposta para trabalhar no México. Depois de muito chororô, partimos para a cidade de Monterrey. Tomei uns florais para aguentar as nove horas de voo. Os primeiros meses no novo país foram difíceis. Eu fazia de tudo para animar minha dona e acho que consegui. Morávamos em um sobrado, e eu adorava subir e descer as escadas, o que me trouxe um problema na coluna. Em 2007, fiquei paralisada pela primeira vez. Hoje, faço acupuntura, tomo vitaminas e caminho com alguma dificuldade. Retornamos ao Brasil há dois anos. Mais uma vez, tivemos de nos adaptar. Ao lado dela, no entanto, tudo fica fácil.”</p>
<p><strong>“Tive gravidez psicológica”</strong></p>
<p><strong>Marilyn (Mel)</strong>, yorkshire, 5 anos<br />
<strong>Donas:</strong> Giovanna e Gabriela Kataoka, estudantes, 10 e 14 anos</p>
<div id="attachment_195" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><img class="size-full wp-image-195" title="pet-9" src="http://caomania.com.br/wp-content/uploads/2010/06/pet-9.jpg" alt="A yorkshire Mel teve dois filhotes" width="360" height="270" /><p class="wp-caption-text">A yorkshire Mel teve dois filhotes</p></div>
<p>Não reparem no meu novo corte de cabelo, ainda estou me acostumando também. Depois de cinco anos com longos pelos caramelo, me tosaram do focinho às patas! Saí da pet shop um pouco cabisbaixa, rolando pelo chão, mas foi por uma boa causa. Meus dois filhotes, essas fofuras atrás de mim nas mãos da Giovanna e da Gabriela, deixaram minha cabeleira cheia de nós enquanto mamavam. Que mania eles têm de não parar quietos durante a refeição! Há muitos anos desejava ser mamãe — e não faltaram pretendentes, arranjados pelas minhas donas. Por quatro vezes pensei que já estava com os pequenos a caminho, mas minha veterinária dizia que era coisa da minha cabeça. A tal da gravidez psicológica, que não sei ainda se entendi do que se trata. A dona da casa, a Elizabeth, conta às visitas que fiquei triste e carregava meu Bidu de brinquedo pela casa como se fosse um filhote. E que, para não me ver cabisbaixa de novo, decidiu me castrar. Adivinha só: bem na sala de espera do hospital, conhecemos Bradoque, um yorkshire lindo, com pelos pretos e prateados. Afinidade imediata. Minhas donas resolveram me dar mais uma chance — sorte que eu estava no cio. Fui à casa dele três vezes namorar e, em menos de duas semanas, os primeiros sinais apareceram. Eu não tinha vontade de comer nem os pedacinhos de pão que ganho no café da manhã. Corremos para o veterinário, e um exame confirmou as suspeitas: eu estava esperando dois filhotes. Passei os meses de gravidez sonolenta e preguiçosa. Depois que os pequenos nasceram, algumas coisas mudaram. Abandonei o quarto para fazer companhia a eles na lavanderia e passo parte do tempo amamentando. Mas não dispenso meu banho de sol diário e uma boa soneca depois do almoço. Só não gosto de ficar sozinha, mas isso já deixei bem claro. Quando ousam sair sem mim, sempre encontram uma surpresa no tapete.”</p>
<p>Por Alvaro Leme, Fernanda Nascimento e Giovana Romani | 16/06/2010<br />
Fonte: <a href="http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2169/pet-se-ele-falasse" target="_blank">Veja SP</a></p>
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		<title>Nossa Família Animal (Veja 19/07/09)</title>
		<link>http://caomania.com.br/noticias/nossa-familia-animal-veja-190709/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 02:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Stancato</dc:creator>
				<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[bichos]]></category>
		<category><![CDATA[donos]]></category>
		<category><![CDATA[estimação]]></category>

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		<description><![CDATA[A relação milenar entre homens e bichos de estimação entrou numa nova fase. Mais do que amigos, eles agora são como filhos. E a convivência pode ser tão complicada quanto a dos pais com um adolescente temperamental.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A relação milenar entre homens e bichos de estimação entrou numa nova fase. Mais do que amigos, eles agora são como filhos. E a convivência pode ser tão complicada quanto a dos pais com um adolescente temperamental.<strong><span id="more-122"></span></strong></p>
<p>Iniciada entre 25 000 e 50 000 anos atrás, a relação         	        entre homens e bichos domesticados teve, a princípio, fins essencialmente         	        utilitários. Cães vigiavam aldeias, ajudavam a caçar e         	        pastorear. Gatos eram bem-vindos por exterminar ratos e outras pragas. Provavelmente         	        a afeição, desde cedo, teve um papel nesse relacionamento. O primeiro         	        indício concreto de um elo de emoção entre um humano e         	        um animal data de 12 000 anos: são restos fossilizados de uma mulher         	        abraçada a um filhote de cão, encontrados no Oriente Médio.         	        O certo é que o afeto remodelou, ao longo dos séculos, os laços         	        que nos ligam a cães e gatos. E continua a remodelá-los. É     	        o que revelam pesquisas de comportamento ao mostrar que, mais até do         	        que amigos, os bichos de estimação são hoje vistos como         	        filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. Na Europa e nos         	        Estados Unidos, o porcentual de donos que consideram seus bichos como familiares         	        já chega a 30% <em>(<a href="http://veja.abril.com.br/220709/teste-amor-amizade-p-092.shtml" target="_blank">veja o teste</a>)</em>. No         	        Brasil, de acordo com pesquisas da multinacional francesa Evialis, uma das maiores         	        fabricantes de alimentos para animais de estimação no mundo, esse     	        índice é de 10% &#8211; mas aponta para cima.</p>
<p class="corpo">Como todas as relações ancoradas na emoção,         	        essa não é imune a crises. Os donos muitas vezes não sabem         	        impor os devidos limites ao comportamento de seus companheiros de quatro patas         	        &#8211; e o drama ganha cores semelhantes ao dos pais que enfrentam adolescentes revoltosos.         	        Em meio à crescente indústria de produtos e serviços para         	        bichos, emergiu até mesmo uma nova categoria profissional &#8211; a dos psicólogos         	        de animais, adestradores especializados em lidar com cães e gatos neuróticos.         	        Não, a neurose não é uma exclusividade humana. &#8220;Pessoas         	        que aboliram a simplicidade de sua vida procuram, por meio de seus cães,         	        reencontrá-la&#8221;, diz o mais famoso desses adestradores, o mexicano         	        Cesar Millan. &#8220;Elas precisam, no entanto, se educar para isso.&#8221;</p>
<table border="0" cellspacing="2" cellpadding="2" width="193" align="right">
<tbody>
<tr>
<td><span class="credito">Divulgação</span><br />
<img src="http://veja.abril.com.br/220709/imagens/especial8.jpg" alt="" width="193" height="350" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span class="legendaCor">COMPANHIA DE BOLSO</span><br />
<span class="legendaSemBold">Baby, yorkshire de 9 anos, é a companheira de todas as horas da jogadora    de vôlei <strong>Virna.</strong> &#8220;Decidi adotá-la porque, com tantas viagens,    não tinha tempo para um segundo filho. Mais tarde, ela me ajudou a superar    uma separação&#8221;, diz. Virna carrega a cadela &#8211; uma toy de    3 quilos &#8211; até para locais onde bichos são proibidos. &#8220;Para    entrar no cinema, fecho a Baby na bolsa e peço que fique quietinha&#8221;,    conta.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="corpo">Das pinturas rupestres aos ratos e cachorros antropomórficos         	        de Walt Disney, os animais são vistos com um misto de estranhamento e         	        familiaridade. Nas fábulas mais tradicionais, são espelhos das         	        qualidades e defeitos morais do homem. Mas a literatura também já     	          os representou como forças indomáveis e irredutíveis da         	        natureza <em>(<a href="http://veja.abril.com.br/220709/popup_especial02.html">veja quadro</a>).</em> No século XIX, a teoria         	        da evolução de Darwin desbancou o homem do ápice da criação         	        para reposicioná-lo como apenas mais um dos animais moldados pela seleção         	        natural. Essa revisão tem implicações éticas radicais.         	        O filósofo australiano Peter Singer defende a igualdade plena         	        de direitos entre homens e animais. Para ele, o &#8220;especismo&#8221; &#8211; a ideia         	        de que os humanos são superiores aos demais seres &#8211; é uma forma         	        de discriminação tão insustentável quanto o racismo<em>. </em>De certo modo, gatos e cachorros já galgaram um lugar privilegiado         	        nas considerações morais das pessoas. A morte de um bicho querido         	        começa a ser cercada de cerimônia: o Pet Memorial, cemitério         	        de animais na Grande São Paulo, realiza em média trinta velórios         	        e 200 cremações por mês, com custos que vão de 700         	        a 2 000 reais. Para muitos, a perda de um animal leva a uma situação         	        de luto tão difícil de superar quanto a morte de um parente ou         	        amigo.</p>
<p class="corpo">O Brasil tem 32 milhões de cães e 16 milhões         	        de gatos, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes         	        de Alimentos para Animais de Estimação, a Anfal Pet. Acredita-se         	        que seja a segunda maior população desses bichos no planeta, inferior         	        apenas à existente nos Estados Unidos. Em 2008, esses animais devoraram         	        1,8 milhão de toneladas de ração: 1,6 milhão de         	        comida para cães e 200 000 toneladas de ração felina. Ainda         	        segundo a Anfal Pet, existem cerca de 40 000 pet shops espalhadas pelo país.         	        Em proporção à população de cães e         	        gatos, esse número é um assombro. Significa que há um desses         	        estabelecimentos para cada 1 200 bichos &#8211; contra uma farmácia para cada         	        2 600 pessoas no Brasil. Os donos mais afetivos são cada vez mais numerosos,         	        no Brasil e no mundo. Em Nova York ou Paris, é comum ver senhoras empurrando         	        seus cães em carrinhos, como bebês. Nos Estados Unidos, ainda,         	        acaba de entrar em atividade a Pet Airways, companhia de viagens aéreas         	        para bichos. No Brasil, o mercado de produtos e serviços para animais         	        de estimação movimenta 9 bilhões de reais por ano.</p>
<p class="corpo">A Radar Pet &#8211; uma pesquisa recém-concluída com         	        1 307 pessoas de oito metrópoles, idealizada por uma entidade do setor,         	        a Comissão Animais de Companhia (Comac) &#8211; fornece uma visão da         	        intimidade dos brasileiros com seus cães e gatos. Eles estão presentes         	        em 44% dos lares das classes A, B e C &#8211; e em lugares como Porto Alegre, Curitiba         	        e Campinas já figuram em mais de metade das casas. O novo status que         	        cães e gatos estão assumindo nos lares tem pelo menos duas razões         	        sociais distintas. A primeira diz respeito ao encolhimento das famílias.         	        Hoje são raros os casais que optam por ter mais de um ou dois filhos         	        &#8211; o terceiro, que costuma desembarcar em casa quando esses já estão         	        mais crescidos, é quase sempre um cão ou gato. Como demonstra         	        o Radar Pet, as famílias em que os filhos adolescentes ou adultos ainda         	        moram com os pais são aquelas em que a presença dos bichos é     	          mais forte. O segundo fator é o crescimento do contingente de pessoas         	        que vivem sozinhas nas grandes cidades e buscam um companheiro animal. Cães         	        e gatos têm chances menores de obter abrigo nos lares formados por casais         	        com filhos pequenos. &#8220;Nessa fase, as crianças monopolizam as atenções.         	        Não sobra tempo para os animais&#8221;, diz o executivo Luiz Luccas, presidente         	        da Comac.</p>
<table border="0" cellspacing="2" cellpadding="2" width="300" align="center">
<tbody>
<tr>
<td><span class="credito">Fernando Cavalcanti</span><br />
<img src="http://veja.abril.com.br/220709/imagens/especial10.jpg" alt="" width="350" height="228" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span class="legendaCor">PLANTÃO VETERINÁRIO</span><br />
<span class="legendaSemBold">Em junho, a zootecnista paulista <strong>Fernanda Manelli</strong> passou por um susto. Lana,    sua bernese de 3 anos, quase morreu em razão de uma castração    malfeita. A cadela foi salva graças aos novos recursos da medicina veterinária.    Ao se constatar, por uma tomografia computadorizada, que um abscesso já    comprometia vários órgãos, ela foi operada às pressas.    &#8220;Gastei 3 000 reais. Mas a vida da Lana não tem preço&#8221;,    diz.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="corpo">As mesmas contingências da vida contemporânea que         	        levam as pessoas a buscar uma proximidade maior com os animais também         	        agravam os problemas da convivência. &#8220;A rotina maluca faz com que         	        muitos donos não consigam lhes devotar o devido tempo e atenção&#8221;,         	        diz o especialista em comportamento animal César Ades. Em casos extremos,         	        os cães se tornam agressivos ou depressivos. Os mais angustiados pela         	        ausência do dono partem até para a automutilação.         	        A preocupação exacerbada com a saúde é outro desdobramento         	        da humanização dos bichos, que contam hoje com recursos médicos         	        avançados, como exames de ressonância magnética e tomografia         	        computadorizada. Plásticas com fins unicamente estéticos são         	        proibidas pelos conselhos de veterinária, mas algumas clínicas         	        oferecem intervenções para melhorar a aparência de um bicho         	        afetado por um acidente ou derrame. &#8220;O tratamento de uma doença         	        crônica custa por volta de 8 000 reais&#8221;, informa Mário Marcondes,         	        diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, o maior de São         	        Paulo.</p>
<p class="corpo">O domador Cesar Millan acusa a perda da &#8220;simplicidade instintiva&#8221;     	          que regia a relação entre homem e cão nos primórdios         	        da domesticação. Os especialistas têm por certo que os lobos         	        dos quais os cachorros atuais descendem rodeavam os acampamentos humanos atraídos         	        pelos restos de alimentos &#8211; mas daí à sua domesticação         	        há um salto que ainda não se explicou satisfatoriamente. &#8220;Os         	        cães demonstraram grande capacidade de assimilar nosso estilo de vida.         	        Isso talvez explique por que a evolução nos fez tão amigos         	        deles, e não de outros primatas, o que à primeira vista talvez         	        parecesse mais lógico&#8221;, diz Barbara Smuts, da Universidade Harvard.         	        Os gatos também se adaptaram à vida na companhia das pessoas,         	        mas nunca abriram mão da independência e do instinto de caçadores.</p>
<table border="0" cellspacing="2" cellpadding="2" width="300" align="center">
<tbody>
<tr>
<td><span class="credito">Oscar Cabral</span><br />
<img src="http://veja.abril.com.br/220709/imagens/especial11.jpg" alt="" width="350" height="233" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span class="legendaCor">NEUROSE CANINA</span><br />
<span class="legendaSemBold">O labrador DJ, de 3 anos e meio, é um triste exemplo de cão neurótico.    Há um ano, começou a se automutilar sempre que ficava só.    A dona, a economista carioca <strong>Victoria Costa Pires, </strong>já tentou de    tudo: dermatologistas, psicólogos, florais de Bach. O bicho não    parou de se machucar nem com o uso de um protetor. &#8220;Agora, vou tentar um tratamento    à base de óleo de carro queimado&#8221;, diz Victoria. Pobre DJ.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="corpo">A principal forma de comunicação entre o homem e         	        os cães é a linguagem corporal &#8211; cães são exímios         	        leitores de gestos e expressões faciais. Nem por isso são surdos     	          à linguagem verbal. Inventor de um famoso ranking de inteligência         	        das raças caninas, o pesquisador americano Stanley Coren averiguou que         	        os lulus mais espertos são capazes de agir em resposta a até 165         	        palavras simples &#8211; mesmo número de vocábulos dominado por uma         	        criança de 2 anos. Um experimento brasileiro é uma demonstração         	        impressionante da capacidade dos cães de associar palavras e símbolos         	        a determinados objetos e ações. Conduzido por César Ades         	        e pelo zootecnista e adestrador Alexandre Rossi, o estudo tem como estrela Sofia,         	        uma vira-lata que aprendeu a acionar um teclado com opções de         	        imagens para expressar seus desejos, como comer ração ou dar um         	        passeio. De outro lado, os cães, mesmo investidos da condição         	        privilegiada de integrantes da família, ainda são mal compreendidos         	        pelos humanos. O balanço de rabo, universalmente entendido como sinal         	        de alegria, não significa exatamente isso. A tradução sugerida         	        pelo pesquisador Stanley Coren é a seguinte: &#8220;Aceito ser submisso         	        a você, mas espero ganhar algo em troca&#8221;.</p>
<p class="corpo">Cães são programados para seguir um líder         	        de matilha &#8211; e para, ao menor sinal de fraqueza do líder, se impor. Esse         	        traço da personalidade canina é a matéria-prima dos programas         	        televisivos de adestramento. Com seu impressionante domínio da linguagem         	        corporal dos animais, Cesar Millan doma até os mais renhidos pit bulls.         	        Esse tipo de enfrentamento direto, contudo, já suscitou críticas         	        &#8211; inclusive de entidades de defesa dos animais. Alguns profissionais dizem que         	        os métodos de Millan são antiquados ao enfatizar a punição         	        do cão indisciplinado. A tendência preponderante hoje é     	          o chamado adestramento positivo, em que se obtém a obediência por         	        meio de recompensas, como comida. Seja ela reforçada por meios punitivos         	        ou positivos, a disciplina dos bichos tornou-se uma questão urgente dentro         	        dos lares. Tanto quanto as crianças, eles precisam de limites. Os direitos         	        humanos dos animais devem ter sua contrapartida. Não é possível         	        ter a mesma atitude do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau,         	        um dos luminares do século XVIII. Ele, que abandonou cinco filhos, nutria         	        adoração genuína por seu cachorro, Sultan. Para Rousseau,         	        as almas despóticas não toleravam gatos porque o gato é     	          livre e não aceita ser escravo. Quanto a Sultan, ele escreveu: &#8220;Meu         	        cachorro era meu amigo, não meu escravo: sempre tínhamos a mesma         	        vontade, mas não porque ele me obedecesse&#8221;. Entusiasta do mito do         	        bom selvagem, Rousseau era mesmo um romântico.</p>
<p class="notaRodape">Com reportagem de Bruno Meier e Carol Vaisman</p>
<table border="0" cellspacing="15" cellpadding="0" width="620" bgcolor="#eeeeee">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>&#8220;O cão é um espelho do dono&#8221;</h3>
<table border="0" cellspacing="2" cellpadding="2" width="300" align="center">
<tbody>
<tr>
<td><span class="credito">Divulgação</span><br />
<img src="http://veja.abril.com.br/220709/imagens/especial12.jpg" alt="" width="350" height="262" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span class="legendaCor">QUEM É O LÍDER DA MATILHA?</span><br />
<span class="legenda">Cesar Millan: ele já vê problemas na relação da família    do presidente Obama com o cachorro Bo</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="corpo">O mexicano Cesar Millan, de 39 anos, é um &#8220;psicólogo                    de cachorros&#8221;. No seu programa de TV, O Encantador de Cães (exibido no                    Brasil pelo canal pago Animal Planet), esse ex-imigrante ilegal convertido em                    celebridade nos Estados Unidos reeduca bichos com fobias, comportamentos destrutivos                    e distúrbios afins. Na entrevista a seguir, Millan explica por que a                    maioria dos problemas caninos tem origem nas atitudes humanas.</p>
<p class="corpo"><strong>Quem precisa mais do outro: o cão do homem ou o homem                    do cão?</strong> Os cães dependem da comida que lhes damos. Nós,                    contudo, desenvolvemos uma dependência emocional em relação                    a eles. Mais que qualquer outro bicho, o cão é o elo que permite                    ao homem moderno manter uma conexão mínima com a natureza. Os                    problemas com que lido em meu programa poderiam ser resumidos assim: pessoas                    que aboliram a simplicidade de sua vida procuram, por meio de seus cães,                    reencontrá-la &#8211; mas precisam se reeducar para isso.</p>
<p class="corpo"><strong>Qual a raiz dos problemas de relacionamento entre o homem e                    o cão?</strong> É a dificuldade humana de entender como os cães                    veem o mundo. Os cachorros não distinguem se seu dono é um mendigo                    ou o presidente dos Estados Unidos. Eles são programados para seguir                    um líder. Na relação conosco, o que vale são os                    sinais de afirmação ou vacilo de quem deveria exercer esse papel.                    Eles podem até parecer crianças, mas pensam como membros de uma                    matilha: na ausência de um humano que exerça a função                    de líder equilibrado e assertivo, os cães tentam se impor.</p>
<p class="corpo"><strong>Os problemas dos cães são reflexos dos problemas                    de seus donos? </strong>A maioria sim. No ambiente natural, animais não desenvolvem                    problemas comportamentais. Não se veem elefantes neuróticos. Isso                    também se aplica aos lobos, aos cães selvagens das savanas africanas                    e até aos cachorros de rua: eles podem ser magros e sarnentos, mas não                    têm distúrbios psicológicos. Os cães tornaram-se                    problemáticos, porque seus donos, em geral, não suprem sua necessidade                    de disciplina, exercícios regulares e desafios mentais.</p>
<p class="corpo"><strong>Quais as consequências dessa negligência? </strong>A                    pior delas é a agressividade fora de controle do cachorro. Mas há                    outras: a ansiedade da separação dos donos, os distúrbios                    alimentares, os ataques de pânico. Muita gente até acha graça                    nesses desvios, por imaginar que são traços da personalidade de                    seu cão. Mas eles existem e fazem os animais sofrer.</p>
<p class="corpo"><strong>O que o comportamento de um cão pode revelar sobre a                    personalidade de seu dono? </strong>Tudo. O cão é um espelho do dono.                    Quando as pessoas procuram minha ajuda e lhes pergunto o que está acontecendo,                    elas começam a conversa por suas próprias aflições,                    e não pelas do bicho. Dizem coisas como &#8220;minha filha tem um problema&#8221;                    ou &#8220;perdi o controle da casa&#8221; &#8211; e nem sempre abrem toda a verdade. Percebo o                    que de fato está ocorrendo tão logo ouço o que o cão                    tem a dizer, por meio de sinais como tensão, ansiedade e excitação.                    É incrível como essas emoções são as mesmas                    que, aos poucos, as pessoas à sua volta deixam entrever. Os cães                    são brutalmente honestos ao expor seus sentimentos.</p>
<p class="corpo"><strong>Qual seu maior conselho para alguém que deseja adotar                    um cão? </strong>O mesmo que dei ao presidente Obama e à sua família                    no processo de escolha do cão que viveria com eles na Casa Branca: opte                    por um animal cujo comportamento combine com o seu estilo de vida. Nunca leve                    para casa um bicho que tenha mais energia que você, pois a tendência                    será ele ditar as regras. Antes de acolher (o cão-d’água                    português) Bo, os Obama fizeram muita pesquisa em busca de uma                    raça adequada. Eles queriam um animal com pique para correr com as meninas                    e que não provocasse alergia na mais velha, Malia. Pelo que venho notando,                    porém, a família do presidente terá trabalho para colocá-lo                    nos eixos. No primeiro passeio, quem determinava o caminho era o cachorro &#8211;                um péssimo sinal.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span class="credito">Fotos Steve Shott, Tim Ridley, David Ward/Dk/Getty Images</span></p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://veja.abril.com.br/220709/imagens/especial13.jpg" alt="" width="285" height="872" /></p>
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