Sorte pra cachorro
Lendo uma matéria sobre cães abandonados (Metrópole 20/04) me deparei com algumas coisas que não dá pra acreditar, tamanha crueldade humana. Como podem serem chamados de humanos, seres que maltratam, se não matam, animais que a princÃpio foram acolhidos como “melhor amigo”. O pior foi esse relato de uma mulher na matéria: “Já vi cães com marcas de água quente no corpo, sem orelha, com olho furado e até um com um pedaço de madeira enfiado da garganta até a coluna.”
Por um outro lado, o lado do bem, existem as ONGs e também as pessoas que vêem em um cachorro abandonado o futuro companheiro do lar. Você pode conferir as histórias e informações sobre as ONGs de Campinas logo abaixo.
Publicada em 20/4/2008
Rodrigo Maia
rodrigom@rac.com.br
Revista Metropole
Sorte pra cachorro
Da rua ao sofá: cães abandonados tornam-se vira-latas de luxo quando encontram pessoas dispostas a ter um amigo fiel
Juju, Nitita, Nhonhoca e Kiti tiraram a sorte grande. Como elas, outros cães, igualmente afortunados, escaparam de padecer abandonados nas ruas. Boa parte desses animais é resgatada por organizações não-governamentais (ONGs) envolvidas no trabalho de proteger e encontrar lares para eles. A posse responsável é um dos pontos defendidos por voluntários desses grupos, assim como a necessidade da castração de machos e fêmeas, para evitar que os animais se proliferem. Em Campinas, há três ONGs reconhecidas pela Prefeitura. Na região, em cidades como Valinhos e Itatiba, várias ações também têm demonstrado resultados positivos. Há ainda um sem-número de pessoas que ao adotar esses cães sem donos descobrem o verdadeiro sentido de palavras como “fidelidade” , “companhia” e “amor incondicional” .
Basta olhar para um cachorro necessitado de ajuda para a corretora de imóveis Maria de Fátima Pressatto partir em socorro. Foi assim que Juju, uma cadela vira-lata que apareceu toda estropiada em seu local de trabalho, escapou de viver nas ruas, correndo o risco de contrair doenças - algumas incuráveis - e de procriar a cada seis meses.
Hoje, Juju mora na casa de Maria de Fátima. Nunca foi adestrada, mas obedece a todos os comandos da dona. A fidelidade é justa. Quando ainda “morava” em frente à imobiliária recebia da corretora carinho e ração, inclusive aos feriados. “Fazia questão de comparecer todos os dias para alimentá-la” , lembra.
Para Maria de Fátima, os cachorros devem atender aos comandos do dono por amor, não por medo. “O carinho é fundamental nessa relação. Tenho a impressão de que cães adotados são mais amorosos” , diz. Vindo de quem vem, a constatação merece crédito. Em 30 anos dedicados a ajudar cães e gatos abandonados, a corretora afirma ter socorrido mais de uma centena de “sem-teto” .
Uma vez na nova casa, os animais, antes alvos de maus-tratos, ganham o céu. A “milionária” Juju é tratada a pão-de-ló. No Verão, toma banho morno toda semana. No Inverno, a higienização completa é feita a cada 15 dias. O cardápio também é especial. Maria de Fátima faz questão de alternar carne vermelha e de frango, pois a cachorra “enjoa muito fácil” do menu. E ela tem outros caprichos. Nos passeios diários, a cachorra carrega a própria guia presa nos dentes.
As visitas ao veterinário também são rotineiras. A corretora não deixa passar nenhum sintoma suspeito e se mantém alerta à presença de carrapatos e vermes. Os efeitos de tantos cuidados são evidentes. Juju tem pêlos brilhantes, dentes saudáveis e olhos vivos. Está vendendo saúde.
Outra afortunada é a cadela Kiti. Sua sorte mudou quando vagava numa rua próxima a um pet shop. Por lá, passava a economista Helenise Mota. Foi amor à primeira vista. No mesmo dia, Kiti, ainda filhote, conquistou moradia fixa e um novo “amigo” : o boxer Gigi. A cachorra recebeu todos os cuidados necessários: castração, vacinas, vermÃfugos etc. Hoje, só vai ao veterinário quando apresenta algum sintoma diferente e para receber as doses de reforço das vacinas. “Muito levada” , segundo a dona, a cachorra destrói tudo o que vê pela frente. A última peripécia foi comer a carteira de trabalho da economista. “Apesar de atentada, é muito linda e amorosa” , derrete-se.
Progressão geométrica
Uma cadela tem cinco filhotes, sendo três machos e duas fêmeas. Após seis meses, todas as fêmeas, inclusive a mãe, dão cria ao mesmo número de filhotes machos e fêmeas. Se esse ciclo se repete a cada seis meses, quantos cachorros serão ao longo de dois anos? O problema foi resolvido numa progressão geométrica de razão três, por Claudio Jorge, professor de matemática da PontifÃcia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).
Eis a resolução: na primeira leva são cinco cães. Na segunda, 15, sendo seis fêmeas. Na terceira gestação, são nove fêmeas. Ao todo, ao longo de dois anos, são quatro gestações, resultando em 605 animais. Somando a mãe, são 606 cães precisando de casa.
Para evitar a proliferação de cães, a castração é o ato mais simples e eficaz.
Mudança de vida
Mineira de Altinópolis, a psicóloga Giany Agege Marques Silva foi surpreendida por uma cena que jamais esquece. Um caminhoneiro, que passava próximo a um supermercado, atirou três cães para fora do veÃculo. Dois fugiram e uma foi atropelada. Giany socorreu a cadela e a levou ao veterinário.
Batizada de Nitita, ela se recuperou bem, mas o ferimento em uma das patas agravou-se. Depois de um ano de tratamento e consultas a vários especialistas, Giany acatou a opinião dos veterinários: autorizou a amputação da pata dianteira esquerda. Foi uma boa medida. “Logo após a cirurgia, Nitita já saiu andando” , lembra.
A presença de Nitita tem um significado especial para Giany. A psicóloga, que já pensava em se mudar de Campinas, passou a ver a cidade de outra maneira. Nos passeios diários com a cachorra, encontrou um novo cÃrculo social. “Fiz muitas amizades graças a ela. Consegui até um emprego numa dessas conversas informais na praça” , diz.
No inÃcio do ano passado, Nitita surpreendeu novamente. Numa volta pelo Centro de Convivência Cultural, a cadela, que estava com a chamada gravidez psicológica, adotou e amamentou três filhotes de gato abandonados na praça. Giany doou dois e ficou com o terceiro, chamado de Praga. Hoje, Nitita e Praga são inseparáveis. Também em 2007, Giany trouxe de Alpinópolis, a cadela Nhonhoca, adotada cinco anos antes. “No inÃcio, as duas se estranharam bastante. Agora, não se largam.”
Para Giany, o ser humano tem muito a aprender com os animais. “Eles nos ensinam coisas importantes como amor, humildade e altruÃsmo. Os animais nos trazem felicidade” , afirma.
Maria de Fátima Pressatto, amiga de Giany, conta que presenciou as mais diversas atrocidades cometidas contra os cachorros que vivem nas ruas. “Já vi cães com marcas de água quente no corpo, sem orelha, com olho furado e até um com um pedaço de madeira enfiado da garganta até a coluna.”
Castração
A veterinária Hanako Nancy Momma explica que a castração é um procedimento simples, tanto em machos quanto em fêmeas. Os cães podem ser
castrados a partir dos seis meses. Nos cachorros machos, depois da anestesia, é feito um corte pré-escrotal e os testÃculos são retirados. O procedimento é o mesmo para gatos. O tempo de duração da cirurgia é de aproximadamente
meia hora.
Há algumas vantagens na castração dos animais. A veterinária enumera: previne tumor em testÃculos, próstata e perianais; evita a marcação de territórios com urina; evita brigas e disputas por fêmeas.
Nas fêmeas, a castração deve ser feita antes do primeiro cio. Após a anestesia, são retirados os ovários e o útero. A intervenção demora em torno de uma hora e o pós-operatório requer cuidados com medicação para dor.
Prevenção de doenças como o carcinoma mamário (câncer de mama) é uma das vantagens. A cirurgia evita ainda a gravidez indesejada e a proliferação descontrolada.
Posse responsável
Antes de adotar um cão, é preciso lembrar que o animal gera gastos, requer tempo e atenção do dono e pode viver por mais de dezeanos. “Animal é ser vivo. Não é um brinquedo que se guarda no armário, quando se cansa dele” , reforça a veterinária Hanako Nancy Momma.
O porte do cachorro a ser adotado é um ponto importante. Para apartamentos e casas com pouco espaço, o ideal são cães pequenos. A consulta a um veterinário é determinante para se saber a real situação do animal. Ectoparasitas (pulgas e carrapatos) devem ser combatidas e eliminadas. A vacinação depende da idade do cachorro.
Os custos começam com vacinas e vermÃfugos. É preciso providenciar ainda um local para o animal dormir, assim como potes de comida e de água. O preço da ração também deve ser colocado na ponta do lápis, pois tem impacto no orçamento mensal.
Para despesas eventuais, é aconselhável manter uma reserva financeira. Assim como os humanos, os bichos não escolhem datas para adoecer. Depois da adoção, é essencial que o dono dispense parte de seu tempo para o animal. Ele necessita de carinho e precisa de passeios diários.
Na hipótese de o dono necessitar se desfazer do animal, a recomendação da veterinária é para que se procure uma ONG ou uma associação que possa ajudar numa nova adoção. “Jamais o abandone na rua” , reforça Hanako.
Doenças comuns
Entre as doenças mais comuns nos cães está a raiva. Transmitida por saliva ou mordida, pode ser fatal. A leptospirose, adquirida na contaminação pela urina de rato, tem cura, mas precisa ser diagnosticada rapidamente. Além disso, pode ser transmitida aos seres humanos, da mesma forma que fungos e sarna.
Colabore
UNIÃO PROTETORA DOS ANIMAIS (UPA)
Organização não-governamental voltada ao resgate, à proteção e à doação de animais, que estão nos Centros de Controle de Zoonoses. No primeiro ano de existência, a UPA conseguiu suspender o uso da câmara de gás para sacrificar animais, doar aproximadamente três mil, castrar outros dois mil e proibir o envio de bichos como cobaias em universidades. As cadelas castradas saem da entidade com a palavra “castrada” tatuada na barriga. Isso evita que o animal entre novamente em processo de castração.
A UPA aceita doações de objetos que não serão mais utilizados por proprietários de cães e gatos, como remédios, cobertas, xampu, roupas, comedouros, guias, coleiras, casinhas, rações e escovas.
Todo segundo sábado do mês, a entidade realiza reuniões de voluntários no Gordão Lanches da Norte-Sul (sentido Taquaral), às 14h. A instituição iniciou um programa de identificação de animais com foto digitalizada, coleira com lacre contendo nome e telefone do proprietário e uma tatuagem com duas letras (foto). O serviço custa R$ 10,00.
Colaborações: doações em dinheiro no Banco Itaú, agência 2976, conta 03677-8.
Informações: f. 3295-1772 ou atendimento@upanimais.org.br
ASSOCIAÇÃO AMIGOS DOS ANIMAIS DE CAMPINAS (AAAC)
Atende somente aos casos especiais, que são cães atropelados ou idosos. Cuida de aproximadamente 2 mil cachorros e 550 gatos.
A AAAC aceita doações de rações, medicamentos, roupas, vasilhas, jornais e produtos de limpeza. Quem preferir, pode deixar ração paga em algum pet shop. Para angariar fundos, a associação realiza bingos beneficentes, rifas, bazares e eventos.
Colaborações: doações em dinheiro no Bradesco, agência 2118-0 C, poupança 25.505-0; Itaú, agência 2964, conta 20.470-1; e Real, agência 0644, conta 9.722.570.
Informações: f. 3276-2244 ou aaac@aaac.org.br
INSTITUTO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA ANIMAL (IVVA)
O IVVA é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que realiza ações em prol de animais abandonados. Recolhe gatos e cachorros das ruas, adultos e filhotes, vÃtimas de maus-tratos ou mesmo em estado normal. Os animais aguardam doações em lares temporários. Nesse perÃodo, são vacinados e vermifugados. As fêmeas adultas são doadas já castradas. Antes de entregar para doação, o IVVA realiza uma entrevista com o provável dono do bichinho.
Colaborações: para fazer doações, é necessário enviar um e-mail para tesouraria@ivva-campinas.org.br
ABRIGO PITUKINHA
Canil construÃdo pela administradora de empresas aposentada, Roselvira Passini, em Itatiba. Ela recolhe e castra cachorros de rua. Atualmente, abriga 68 cães, sendo 22 destinados a doações. Os outros 46 estão em idade avançada ou com problemas de saúde. Possui sala de cirurgia própria. Todos os finais de semana, Roselvira realiza feira de cães no supermercado Covabra. Por mês, gasta 450 quilos de ração, 100 de arroz e mais 180 de pescoço de frango.
Colaborações: quem quiser doar ração, medicamentos ou acessórios para os cães, deve entrar em contato com a proprietária, pelo telefone (11) 4538-1392.
PATA AMIGA
Grupo de proteção fundado há seis anos. O canil fica em uma chácara em Valinhos e os eventos para arrecadação de ração, medicamentos e objetos são realizados em Campinas. Recolhe cachorros em condições especiais, como acidentados, doentes e idosos. Dos 300 cães abrigados, alguns não possuem dentes, outros estão cegos ou em condições de saúde precárias.
Colaborações: para doações, fale com Renato pelo telefone 9112-4321.



Eu moro em apartamento, trabalho o dia inteiro e tenho duas cachorras dentro de casa, as quais são criadas como se fossem minhas próprias filhas. Uma delas estava em condições miseráveis, abandonada na rua, com sarna, super idosa e considerada morta em breve tempo pelos veterinários pelo estado lastimável em que se encontrava.Na época em que a resgatamos deste sofrimento, liguei em todas as instituições que se dizem cuidar dos animais, propus pagar a alimentação da mesma,pagar a castração, remédios e todas as despesas porque no espaço que moro não conto com espaço para abrigar animais.Infelizmente a resposta que tive de todas as organizações foi um NÃO bem redondo e ninguém pode ajudar esta cadelinha que estava à beira da morte. Fiquei tão deprimida, na época de assistir a este drama deste ser vivo com tanto sofrimento que acabei, mesmo sem ter condições de abrigá-la, resgatando-a da rua e hoje faz dois anos que ela faz parte da minha famÃlia, tempo até grande para quem tinha sido condenada à morte pelos veterinários.Hoje, quando saio para trabalhar encontro inúmeros cachorros abandonados por onde vou passando e confesso, estraga o meu dia de saber que não posso mais recolher nenhum para minha casa, por falta de espaço.Por mais uma coincidência, no mesmo lugar que encontrei esta cachorrinha abandonada, encontram-se nada mais nada menos que um cachorro macho, três fêmeas, um filhote de porte médio/pequeno e dois filhotinhos pequenininhos de um mês de idade.Uma das fêmeas é de porte grande da raça Fila e que pode até causar perigo para as pessoas. A outra fêmea está grávida e a outra com dois filhotinhos de um mês de vida, todos passando frio e fome e espantem-se… ninguém tem nem dó e nem piedade deles e, o pior de tudo é que não temos ninguém para recorrer para abrigar estes coitadinhos entregues à própria sorte de sofrimentos.Se vocês que cuidam dos animais abandonados e puderem fazer alguma coisa para ajudá-los estarei pronta para ajudá-los também.Obrigada. Regina